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O ano das abelhas, estação a estação
O crescimento da primavera, o fluxo do verão, o descanso do outono. De onde vem a cera na vida de uma colmeia.
A cera de abelha não se colhe numa data fixa. É o resultado de um ano inteiro na vida de uma colónia, e os apicultores a quem a compramos trabalham ao ritmo das abelhas e não ao seu. Eis esse ano, mais ou menos como decorre num apiário europeu.
Primavera: o crescimento
A colónia sai do inverno pequena: alguns milhares de abelhas à volta da rainha. À medida que os dias crescem e abrem os primeiros salgueiros e as flores das árvores de fruto, ela começa a pôr a sério. Entra pólen para a criação e néctar para a energia e, em poucas semanas, a colónia tem várias vezes o tamanho que tinha no inverno.
É também a época da enxameação. Uma colónia forte pode dividir-se, e metade das abelhas parte com a rainha velha à procura de uma nova casa. Na primavera, os apicultores inspecionam as colmeias mais ou menos todas as semanas e dão às abelhas espaço para crescer, para que tenham menos tendência a partir.
Verão: o fluxo
O início do verão traz o principal fluxo de néctar: trevo, tílias, silvas e flores do prado e, mais tarde, urze em algumas regiões. Com tanto néctar a entrar, as abelhas precisam de onde o guardar, e constroem favos depressa. Uma colónia forte consegue construir uma caixa de favos novos numa ou duas semanas.

À medida que cada alvéolo se enche de mel maduro, as abelhas selam-no com um opérculo de cera fresca e clara. Estes opérculos são a cera mais limpa da colmeia, e são a cera que usamos.
A cera de uma vela é o trabalho de um verão, construído alvéolo a alvéolo.
Outono: colheita e descanso
O fim do verão é tempo de colheita. O apicultor retira os quadros de mel operculado do topo da colmeia e deixa às abelhas as caixas de criação e mel suficiente. Na melaria, os opérculos são cortados, o mel é centrifugado e os opérculos são postos de lado a escorrer.
Ao longo do outono, são derretidos e filtrados em blocos. Entretanto, a colónia volta a encolher. As abelhas que nascem agora são abelhas de inverno, feitas para viver meses e não semanas.
Inverno: o cacho
Durante os meses frios, as abelhas formam um cacho apertado, fazendo vibrar os músculos de voo para manter o centro quente e comendo devagar as suas reservas. Nada entra e não se produz cera. O trabalho do apicultor é sobretudo silencioso: uma mão na parede da colmeia, uma verificação de que a entrada está desimpedida.
No fim do inverno, o primeiro pólen volta a aparecer nas patas das abelhas, e o ano recomeça. A nossa cera é produzida no verão, colhida no outono e vertida durante o inverno e a primavera seguintes. Cada vela traz consigo um pouco de uma estação.